Amor pela nossa terra – nota da Direção

A Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Santarém tem desde janeiro último uma nova direção, um orçamento e um plano de atividades. Muito trabalho nos espera… recuperar a relação com os antigos sócios, abrir a associação a todos que queiram participar, reorganizar o seu funcionamento administrativo e cumprir as tarefas a que nos propomos.

Será um período de retomar de contactos e relações; a AEDPHCS passou por um período muito longo em que, com a exceção da organização de alguns eventos (alguns bem interessantes…), quase nada funcionou, sobretudo nos seus aspetos mais formais. E há naturalmente consequências…

Mas sabemos também que tudo o que correu mal tem que ser assumido por todos sem exceção, sem processos de acusações e recriminações que a nada parecem servir. O funcionamento da Associação dependeu sempre do voluntariado dos seus sócios, que podendo ter feito melhor ou pior, fizeram o que puderam, dentro dos constrangimentos vários, financeiros e organizativos, ou até pessoais, a que todos sem exceção estamos sujeitos.

O relatório da Comissão Transitória da Associação apresentado e aprovado por unanimidade em 7 de outubro último foi nesse sentido. Identificaram-se diversos problemas imediatos, relacionados com a última direção, mas também problemas que vinham de trás, da incapacidade que a própria associação teve de se pensar e repensar, deixando arrastar questões de fundo que se viriam a mostrar decisivas na situação a que se chegou.

Esse trabalho do pensar e repensar da associação não está ainda feito. Teremos muito em breve reuniões com sócios e convidados para ajudar nesse propósito, procurando os consensos desejáveis para uma alteração de estatutos que é neste momento obrigatória a nível legal, mas também uma oportunidade para a associação.

Foi hoje colocado online, no nosso site, um formulário que permite aos interessados proporem-se como novos sócios, assim como permite aos sócios atuais a atualização dos seus dados. Seguiremos diversas vias para retomar o contacto com os antigos sócios, socorrendo-nos dos dados existentes, e também da boa vontade de todos, e do passar palavra.

O pagamento de quotas por multibanco, a simplificação dos procedimentos administrativos internos, a relação com os sócios atendendo a todos conforme o que melhor permitir a comunicação, email, SMS ou correio postal – serão formas de permitir reduzir ao máximo os custos operacionais da Associação, e sobretudo os custos da falta de comunicação.

No entanto, privilegiaremos sempre o contacto pessoal pois sabemos que uma associação é antes de mais uma associação de pessoas, e apenas depois uma associação das suas vontades no sentido dos objetivos próprios da mesma.

Sabemos que há questões pendentes relativas ao passado da associação a que devemos toda a devida atenção a devido tempo, e haverá certamente questões que se levantarão ao caminho, das quais não nos poderemos desviar. Porém, não podemos nunca perder a visão do conjunto, e daquilo que é mais importante.

Têm-nos chegado a preocupação de antigos sócios e responsáveis da AEDPHCS com o espólio da associação, a sua integridade e futuro, que é algo que naturalmente compreendemos. Não podemos deixar de assinalar, no entanto, que é pelo facto de a associação ter retomado a sua atividade que a questão se pode, apesar de tudo, colocar. E que é primeiramente dentro da associação, e nas suas assembleias e vida interna que estas questões se devem colocar.

É também de realçar que a história da nossa associação e da nossa cidade é importante porque aqui estamos todos nós, hoje. Desejamos, hoje, fazer a defesa do nosso património, para os nossos filhos e netos um dia possam fazer o mesmo, e não se perca o fio da memória. Se não houver vida associativa hoje, com boa vontade e disposição de aceitar as opiniões de todos, de pouco importa o passado, a não ser, é claro, para fazer história, que seria nesse caso a história da antiga e extinta AEDPHCS….

Sendo o escrever da história um objetivo importante e nobre por si só, devemos porém lembrar que o objetivo da nossa associação não é, em primeiro lugar, o de fazer a sua própria história, mas o de funcionar de forma útil e aberta, no cumprimento dos seus propósitos. O fazer da sua própria história está necessariamente incluído, mas é uma parte.

Haverá necessidade de equilíbrio entre as diversas solicitações a que seremos chamados… E com equilíbrio, portanto, poderemos atender a tudo. Procurar soluções para os problemas imediatos, recuperar o passado, o espólio, a memória associativa, e sobretudo as pessoas, com relações sãs, baseadas no respeito e consideração por todos.

É aliás no sentido de valorizar e defender o espólio, o património da associação, e a sua história, que apresentámos a 1 de março, junto da CMS, no âmbito do Programa de Apoio ao Associativismo e Agentes Culturais, e além do previsto no nosso plano de atividades, um projeto de digitalização, inventariação e arquivamento do Espólio da AEDPHCS, preparando a sua futura disponibilização à comunidade académica. Este espólio, de que foi possível salvaguardar a maior parte, e que poderá ainda certamente ser complementado com elementos que estão na posse de sócios, certamente interessados em o completar, é algo que na verdade reputamos não apenas como património da Associação, mas também da nossa cidade, sendo certo que mesmo a nível nacional e quiçá mais longe, esse espólio é relevante e importante.

De resto, à medida que os membros da atual direção foram tomando contacto com este espólio, não deixaram de manifestar entre si a sua estranheza pelo facto de isto não ter sido feito antes. Este espólio não ganhou súbita importância no último mês, certamente. Há já muitos anos o tinha.

Também no sentido de salvaguardar a memória da AEDPHCS, mas sobretudo de a celebrar, foi também feito um pedido de apoio para uma Exposição Comemorativa dos 40 anos da Associação, que se completam em março de 2018. Pretenderemos fazer essa exposição não apenas com os materiais existentes no espólio, mas sobretudo com ajuda do testemunho e memória dos sócios.

Essa deverá ser uma grande exposição, que se pretende digna e importante, mas sobretudo que seja uma exposição que sirva dois fins simultâneos. O de celebrar o que já foi e o de preparar o futuro. Terá que lembrar o passado e ajudar a preparar as gerações futuras para esse trabalho sem fim que é o da preservação da memória, um trabalho de amor pela nossa terra, pelas suas gentes e suas vidas, que a todos compete.

Pela Direção da AEDPHCS
Eduardo Tavares